terça-feira, 18 de outubro de 2011

Educadores bahá'ís condenados no Irã

BRASÍLIA, 18 de outubro de 2011 – Sete educadores bahá’ís no Irã foram condenados a quatro e cinco anos de prisão cada um, de acordo com informações recebidas pela Comunidade Internacional Bahá’í.

Segundo os relatos, os vereditos dos sete foram pronunciados por um juiz da 28ª. Vara da Corte Revolucionária em Teerã.

Os educadores estão presos há quase cinco meses devido a seu envolvimento numa iniciativa comunitária informal – conhecida como o Instituto Bahá’í de Educação Superior (BIHE) – na qual professores bahá’ís, impedidos pelo governo iraniano de exercer sua profissão, ofereciam seus serviços para ensinar aos jovens membros da comunidade, que são banidos das universidades.

Dois dos indivíduos, Vahid Mahmoudi e Kamran Mortezaie, foram condenados cada um a cinco anos de prisão.

Os professores Ramin Zibaie, Mahmoud Badavam e Farhad Sedghi, o consultor Riaz Sobhani, e o auxiliar Nooshin Khadem foram sentenciados a quatro anos de prisão.

“Nem sequer se sabe até o momento quais são as acusações exatas contra estas almas inocentes, cujo único desejo era prestar serviço aos jovens que haviam sido injustamente excluídos da educação superior por motivos puramente religiosos”, disse Bani Dugal, a principal representante da Comunidade Internacional Bahá’í nas Nações Unidas.

“Que espécie de sociedade faz do ofício de educar os jovens um crime sujeito a punição?” disse ela.

Dois outros bahá’ís ligados ao BIHE – o casal Kamran Rahimian e Faran Hesami, ambos instrutores em psicologia – também continuam detidos sem acusação.

Protestos no Brasil e no mundo

O mais recente ataque contra o BIHE continua a provocar a condenação da parte de governos, organizações, acadêmicos e jovens do mundo inteiro.

No Brasil, a Embaixadora Glaucia Gauch – chefe do Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais do Ministério das Relações Exteriores – informou que gestões bilaterais tem sido feitas junto à Embaixada Iraniana solicitando que os educadores bahá'ís sejam libertados imediatamente.

O Instituto de Direitos Humanos e Desenvolvimento – IDDH, o Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares – GAJOP, a Conectas Direitos Humanos e o Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH também estão entre as organizações não-governamentais que tem se articulado nacionalmente em defesa dos bahá'ís iranianos, encaminhando ofícios à Embaixada Iraniana em Brasília e às autoridades brasileiras competentes, solicitando ações concretas para a libertação destes indivíduos.

Em carta encaminhada em nome do IDDH e dos alunos e professores da Clínica de Direitos Humanos da Universidade de Joinville (SC) endereçada aos Ministros da Educação, Fernando Haddad, dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, e das Relações Exteriores, Antônio Patriota, a representante do IDDH, Fernanda Lapa, solicitou um posicionamento “público e incisivo” por parte do governo brasileiro diante desta questão.

A carta ressaltou ainda que a educação “é um direito humano universal (...) que deve ser defendido independentemente de crença religiosa”.

Cartas abertas

Mais de 70 acadêmicos da Austrália, incluindo o vice-chanceler da Universidade de Ballarat, David Battersby, assinaram uma carta aberta em protesto à discriminação educacional contra bahá’ís e exigindo a imediata libertação dos educadores presos.

Em 10 de outubro, 43 filósofos e teólogos proeminentes de 16 países -- inclusive o brasileiro Leonardo Boff -- assinaram outra carta de protesto. “Adquirir conhecimento e saber é o direito sagrado e legal de todos; na verdade, é uma obrigação do estado provê-lo. No Irã, o governo tem feito o contrário...”, escreveram os acadêmicos.

Segundo afirmou Boff à Folha de São Paulo, a perseguição aos bahá'ís se dá pelo seu universalismo. Para ele, a Fé Bahá'í "é a religião mais ecumênica do mundo. Não importa o nome de Deus, desde que seja o princípio supremo que rege todas as coisas. Cristãos, judeus ou muçulmanos podem apoiar isso, sem trair suas origens confessionais. É uma religião dos tempos modernos", diz ele.

Em outra carta aberta, dois laureados do Prêmio Nobel – Desmond Tutu, Emérito Bispo Anglicano da Cidade do Cabo, e José Ramos Horta, Presidente do Timor Leste – criticaram duramente o governo iraniano, comparando suas ações às da “Idade das Trevas da Europa”, ou da “Inquisição Espanhola”.

Em 5 de outubro, retomando uma discussão do Senado Canadense sobre os bahá’ís do Irã, o senador Hugh Segal qualificou o sofrimento impingido aos bahá’ís como “sistemático e brutal, especialmente quando os bahá’ís são conhecidos como uma fé pacífica que aceita o caráter sagrado de todas as religiões”.

“A opressão oficial iraniana contra os bahá’ís ... é um chamado de clarim à humanidade e às pessoas e democracias livres de toda parte para dirigirem o olhar diretamente às cores berrantes da realidade iraniana e não o desviarem até que o desafio seja enfrentado”, disse o senador Segal.

Atualmente, cerca de 112 bahá’ís se encontram atrás das grades no Irã por causa de sua religião, incluindo as sete lideranças bahá’ís que cumprem sentenças de 20 anos de prisão por acusações fraudulentas. Cerca de 300 de outros casos de bahá’ís seguem sob a atenção das autoridades iranianas.

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