sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Lançamento do filme Tabu Iraniano promete repercussão mundial

Diretor Reza Allamehzadeh fala da dificuldade de gravar cenas na sua terra natal

Nesse domingo, dia 4 de dezembro, será realizada a estreia mundial do documentário Tabu Iraniano, do cineasta e escritor iraniano Reza Allamehzadeh. Pela primeira vez a perseguição do regime islâmico contra os seguidores da Fé Bahá'í – a maior minoria religiosa do Irã – será apresentada em um discurso cinematográfico da realidade. O lançamento será realizado no Teatro de James Bridges UCLA, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Proibido de ingressar em seu país de origem, Reza Allamehzadeh, diretor e editor do filme, precisou da ajuda de amigos para filmar clandestinamente dentro do Irã. “Apesar do fato de me ser negado acesso a minha pátria, consegui filmar cenas profundas no Irã, pois tive ajuda de amigos dedicados que arriscaram suas próprias vidas para capturar as cenas reais do filme”, declara Reza. Na visão do cineasta autor de Speak out Turkmen [Levantem suas vozes, Turcomenos] e Holy Crime, [Santo Crime], a realização deste filme foi a mais difícil de sua carreira.

Em 2007, o cineasta brasileiro Flávio Azm Rassekh também se propôs a produzir um documentário que apresentasse a realidade da República Islâmica do Irã. Ele chegou inclusive a entrevistar jornalistas nacionais, como Marcia Camargos, Adriana Carranca, Paula Fontenele e Alessandra Meleiro. “Cada uma delas apresentava uma visão diferente do país a partir de suas próprias experiências”, comentou Azm, que ficou satisfeito com a possibilidade de produzir algo com imparcialidade jornalística sobre o Irã, terra natal de seus pais.

Contudo, o projeto precisou ser interrompido. “Fui impedido de colher imagens no Irã para ilustrar as entrevistas do filme por conta das restrições impostas a jornalistas, fotógrafos, documentaristas e profissionais de mídias”, esclarece Azm.

Além da restrição de acesso ao Irã, o diretor Allamehzadeh enfrentou outras dificuldades durante a fase de produção do documentário Tabu Iraniano, que é uma peça de não-ficção. Vivendo como refugiado na Holanda desde 1983, ele teve que batalhar para obter acesso aos entrevistados do filme – que incluem Shirin Ebadi, a primeira iraniana Prêmio Nobel da Paz, e o ex-presidente do Irã, Abolhassan Banisadr. “Foi um desafio, mas consegui superar os obstáculos”, afirmou.

O enredo do documentário, que tem uma hora e dezoito minutos de duração, descreve a garra de uma bahá'í iraniana de nome Nadereh, que decide deixar o país juntamente com sua filha, de 14 anos, em busca de refúgio no Ocidente. A história atravessa a Turquia, Israel, Estados Unidos e ilustra bem a perseguição cotidiana a que são sujeitados os bahá'ís do Irã. O documentário conta com entrevistas inéditas de renomados acadêmicos, escritores e políticos que retratam a história da Fé Bahá'í e seus seguidores no Irã.

Clique aqui para acessar a página oficial de Tabu Iraniano.

O governo iraniano persegue as minorias presentes no país, além de impor a sua população um regime de total controle da informação. “Nos últimos meses professores universitários bahá'ís foram presos e alguns dos maiores cineastas iranianos foram condenados a seis anos de prisão. O único 'crime' que cometeram foi o de tentar exercer suas profissões”, diz Azm.

Segundo informação da agência iraniana de notícias ISNA, os cineastas Jafar Panahi (ganhador do prêmio Câmara de Ouro de Canes por seu filme de 1995 “O Balão Branco”) e Mohammad Rasoulof (que venceu o prêmio de Melhor Diretor de 2011, pelo filme clandestino “Good Bye”) foram detidos em março desse ano por “ações e propaganda contra o sistema”.

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