OTTAWA, 2 de dezembro de 2011, BWNS – O senador canadense Romeo Dallaire, ex-comandante da força de paz da ONU que tentou cessar o genocídio em Ruanda na década de 1990, afirmou que os atuais atos do Irã contra os bahá’ís o fazem lembrar o que ele testemunhou na África.“As semelhanças com o que vi em Ruanda são absolutamente inquestionáveis, equivalentes... e de fato, aparentemente aplicadas com a mesma energia”, disse o senador Dallaire.
“Estamos testemunhando um ensaio de genocídio em câmera lenta”, advertiu ele.
As observações do senador Dallaire são parte de uma investigação do Senado canadense acerca da perseguição aos bahá’ís do Irã. O aprisionamento de bahá’ís por nenhuma outra razão senão sua crença, disse ele ao Senado, compara-se à situação em Ruanda.
Leia o discurso em inglês do senador Dallaire aqui.
“As prisões de Ruanda estavam apinhadas do povo Tutsi quase pelas mesmas razões, exceto que seu crime, em vez de religião, fundamentava-se na etnia”, disse ele.
Outro paralelo pode ser encontrado na perseguição aos educadores bahá’ís que tentam ensinar membros jovens da comunidade em face das iniciativas do governo de bani-los da universidade.
“Todo iraniano que se identifique como bahá’í é impedido do acesso à educação superior, de ter uma posição dentro do governo, ou de participar do processo político” disse ele.
“Esses ataques contra as lideranças e professores bahá’ís são violações de direitos humanos bastante preocupantes. Porém, são ainda mais perturbadores por ocorrerem no contexto da severa repressão à toda a comunidade bahá’í pelo estado iraniano. Um cenário semelhante ocorreu em Ruanda, onde a minoria étnica Tutsi não tinha acesso à educação superior em seu país. Eles tinham que deixar o país para ter acesso à educação superior.”
Em 1994, o senador Dallaire comandou a Missão de Assistência das Nações Unidas à Ruanda que, finalmente, não obteve sucesso em impedir a matança em massa de cerca de 800.000 ruandeses. Desde então, ele é homenageado e respeitado em todo o mundo pelo seu trabalho humanitário e por sua corajosa defesa em prol de povos sob ameaça. Foi também membro do Comitê Consultivo sobre Prevenção de Genocídio do Secretário Geral da ONU.
Juntando os fatos e tendências da perseguição aos bahá’ís iranianos, disse ele, o resultado será minimamente algo que a que ele denominou “genocídio ideológico”.
“Um elemento essencial do genocídio ideológico é a intenção de destruir, seja no todo ou em parte, a comunidade bahá'í como uma entidade religiosa independente. É essa intenção que requer nossa atenção imediata e deliberada.”
Além disso, disse ele, permanece a possibilidade de atrocidade em massa se a repressão do Irã aos bahá’ís não for detida.
“O alarmante aumento de encarceramentos de bahá’ís e, mais particularmente, de suas lideranças; as sentenças desmedidas e fianças injustificáveis; e a propaganda vil que retrata os bahá’ís como um culto e como parte de uma conspiração sionista para minar o estado islâmico do Irã é totalmente... falso. É tudo um meio para justificar as ações deliberadas do governo para destruir essa religião dentro de suas fronteiras.
“Não se enganem, esses não são apenas indícios da perseguição atual e passada; são sinais de alerta para atrocidades em massa, de genocídio. Que não testemunhemos um novo genocídio, plenamente conscientes de quais são suas consequências”, disse ele.
Os comentários do senador Dallaire são parte de uma averiguação do Senado Canadense da questão da perseguição aos bahá’ís do Irã, iniciada pela senadora Mobina Jaffer. Em observações feitas em 21 de junho, a senadora Jaffer pediu “novas medidas” do Senado canadense para “responsabilizar o Irã por seu inaceitável tratamento aos bahá’ís”.
Em outubro, o senador Hugh Segal também tratou da averiguação, qualificando o sofrimento imposto aos bahá’ís como “sistemático e brutal”, especialmente quando eles são conhecidos como uma “fé pacífica que aceita a sacralidade de todas as religiões”.











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